Ela me disse que está descontente com todos. Tudo se resume a uma simples e ordinária infelicidade. Perguntei-lhe se era algo constante. Ela me choraminga que não agüenta. Não responde com palavras.
Berenice fugiu, levou um pouco de raiva, um velho violão e uma foto rasgada em meus pedaços.
Quem vai saber como alguém acaba com a felicidade de outro por simplesmente sair de sua vida.
Todos já desconfiavam do exagero dela. E que ela não andava lá muito bem de seu vício.
A mãe dela confessou a mim, que a culpa de tudo era do álcool, e de seu pai, que fugiu pra sempre, numa história parecida. Berenice estava seguindo um tipo de maldição, disse-me o pastor da família. Não dei bola.
Eu saí.
Estava triste agora também. Mal sabia eu como alguém acaba com a felicidade de outro por simplesmente sair de sua vida. Agora sei. Berenice sumiu.
Estive andando pela cidade, mas o barulho não abafou meu desespero. Não demonstro nada, vou fumando um cigarro, algumas meninas vão indo dançar, eu vi o bar, ela não estava lá, ela não fugiu de todos, fugiu da infelicidade que já nem sei se... era a minha.
Não sou tão forte. E sequer posso fugir. De algo que fugiu de mim.
Talvez soe tudo como uma grande prepotência.
Mas, mesmo assim, eu encerro por aqui.