sábado, 29 de setembro de 2007

pra ser imortal...

Legal perceber que
você também é feito de gente
e não de deus como falou.

Feito de gente sim,
pois você fede!
E não consegue disfarçar com perfuminhos
que também são criados por pessoas
portanto são falhos.

Então você diz que é feito de alma
Mais só pode me mostrar esses ossos
que também têm de sangue
e estão imersos em camadas de carne, gordura e pele.

Legal notar esses dentes
que anseiam por comida
Oh!
Comida sim
E eles matariam por ela
Coisa que seu deus não gosta de ver.

Mas ouvi aquele mendigo falar
que quem fez seu deus foi ele
e que ele vai matá-lo também

Mas quem fez o mendigo?

Uns textos políticos
me disseram que foi você.

Legal perceber que você sabe que fede
e que para ser imortal vai ter que avançar muito na tecnologia.
que não é coisa de deus.

Me fez lembrar...

Me fez lembrar seu gosto,
quando comeu chocolate,
que você de besta foi lavar dos dentes;
ficou um puta cheiro de menta,
que me fez lembrar um licor que me deu outro dia
mas eu disse que preferia o gosto amargo e sincero da cerveja.
que esteve no meu copo sexta-feira,
enquanto eu lembrava do teu cheiro de cigarro,
que deixou na minha boca quando eu fui embora.
o gosto cinza d'eu te ver ficar,
sem o moletom azul que deixou pra mim
pois fazia frio fora da casa;
que eu fui ontem te espiar lavar a louça
da pipoca que você me fez, e deixou queimar,
pra ver o filme que falava sobre música
que você colocou no meu ouvido como um barulho
de tambor que vinha de seu peito,
que repousava minha cabeça com o cheiro de xampu de fruta
que você mais gosta;
por que te faz lembrar de mim quando vai na feira,
e me traz morangos, pra comermos com o chocolate,
que você insiste de besta em lavar dos dentes com menta.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Benedita confusa

Houve um dia que Benedita foi ao açougue
Comprar carne e trouxe peixe
Outro dia foi na padaria
Comprar pão e trouxe alface
Outro dia foi na banca
Comprar jornal e trouxe caneta
Outro dia foi na boutique
Comprar calcinha e trouxe cueca.

Alguém falou:
- Cueca Benedita? Aí já ta ficando estranho.

Benedita continuou,
Foi comprar suco e trouxe leite.
Foi comprar leite e trouxe cerveja.
Foi comprar cerveja e trouxe um bolo.

Alguém falou:
- Benedita esta ficando débil, ta confusa. To com medo.

Benedita continuou,
Foi namorar José e trouxe o João
Foi namorar João e trouxe o Juca
Foi namorar o Juca e trouxe a Jandira

Alguém falou:
- Ah! A Benedita tem alguma coisa com J.

Benedita continuou,
Foi trabalhar e trouxe areia no pé
Foi na praia e trouxe mato na canela
Foi no mato e trouxe poluição na cara.

Alguém falou:
- Benedita vai mudar pra São Paulo

Benedita, não mudou não, e continuou,
Foi na igreja e trouxe o pecado
Foi na policia e trouxe o crime
Foi ver a ordem e trouxe a bagunça

Alguém falou:
- Vamos internar Benedita!

Mas Benedita continuou,
Continuou mudando de idéia,
Mudando, mudando, mudando
Até que Benedita foi ter com a morte
Roubou-lhe a foice e se trouxe de volta.

Alguém falou:
- Oh! Benedita vive!

Benedita ergueu a foice e rasgou o mundo
Ele se fez em dois, mudou de idéia
E o fez em quatro, seis, oito.
Fez o mundo em picadinho,
Então se dividiu também.

Benedita enfim se decidiu, queria colar de volta
Mas era tarde, dividira muita coisa,
Voltou a ficar confusa,
Pois sobrou tudo muito miúdo,
Então ela desistiu, e destruiu tudo

Enfim, destruiu tudo...
E Benedita ficou do jeito que gosta. Infinitos pedacinhos. Milhões de opções.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Tem um muro bem alto na frente
E um portão bem forte de ferro
Lá você não entra
Mas tem gente que não sai

Mas como se ninguém entra?
É que é mentira
Entrar lá é bem fácil
Impossível pra alguns

É lá! Ali ó!

Você não vai querer entrar mesmo
Só to falando porque é bom saber que existe

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Falando com o teto.

Não vim para decorar textos;
nem discutir poesia.

Não vim para interpretar as filosofias de outros;
nem analisar a sua inércia.


Não vim para trazer um mundo novo;
nem enfatizar um mundo velho.


Não vim para boas notícias;
nem para a indignação com as más.


Não vim para não sorrir;
nem para não te chorar.


Não vim para o tudo;
muito menos para o nada.


Não vim para beber chá;
nem para não beber café.


Não vim para a bíblia;
nem para a constituição.


Não vim de ovelha;
nem de lobo.


Não vim de louca;
nem de comum.


Não vim de sóbria;
nem de não ébria.


Não vim para não morrer;
nem para não me deixar por aqui.


Não deixei de vir;
nem de vou deixar de ir.

domingo, 9 de setembro de 2007

Se a gente fosse sincero
pelo menos uma vez.
pelo menos essa vez.

Se houvesse sinceridade
Pura.
Somente
minha e sua.
Se talvez
eu pudesse
e
me entregasse
E você não me decepcionasse.
Se por hoje
amanha.

E em frente.

Agora
Eu acreditaria
dormiria
e até esperaria.
Você tem sono?

sábado, 1 de setembro de 2007

Cadê incomodar?

desde aquele dia que
observava tua vida
pela janela do meu quarto
tua vida tão bem-feita.

desde aquele dia que não
posso mais notar,
pequenas delicias no teu rosto
pois é um rosto tão bem-feito.

não se pode notar nada.

desde aquele dia que parei de perder tempo,
com a boniteza da sua vida,
e me enturmei com o defeito.

desde que, essa vida tão bem-feita
só me parece mais atrativa
quando num pequeno equivoco você tropeça.

volto pra minha janela,
observar alguém pisar na bosta do cachorro na esquina.

q'existe algo de mais bonito,
numa açao tão imprevisivel e não premeditada assim.